O pequeno vilarejo de Lukla, no Nepal, sedia aquele que é considerado o aeroporto mais perigoso do mundo. Mas por que construir uma pista tão complexa em plena Cordilheira do Himalaia?

Acontece que essa cidadezinha de cerca de 1200 habitantes é uma das principais portas de entrada para o Monte Everest, a montanha onde está o ponto mais alto do planeta. Então isso faz desse o segundo aeroporto mais movimentado do país, atrás apenas do internacional de Katmandu.

Avião na pista do aeroporto mais perigoso do mundo, em Lukla
Reprodução/YouTube Aero – Por Trás da Aviação

Durante a alta temporada, mas antes da pandemia, o ritmo de pousos e decolagens era grande, com dezenas de movimentações por dia. Todos os voos partem da capital e a viagem dura apenas cerca de 30 minutos.

Por que o aeroporto mais perigoso do mundo?

Vários fatores têm influência nessa classificação, como o comprimento da pista, se há área de escape, clima instável, a altitude, o entorno, se há muito vento e turbulência, entre outros.

Algumas pistas famosas pelo mundo como a do aeroporto de Gibraltar, que é cortada por uma rodovia, ou os aviões em St. Maarten, que descem bem próximo da praia, não chegam nem perto. O aeroporto de Lukla reúne praticamente todos esses desafios.

Localizada a mais de 2860 metros acima do nível do mar, a pista tem apenas 527m por 30m de largura. Então pra se ter uma ideia, os aeroportos internacionais costumam ter pistas de mais de 3000 metros.

Se ela já seria considerada curta ao nível do mar, imagine na região do Himalaia, cercada por montanhas e com baixa pressão atmosférica? Mas pra piorar, de um lado da cabeceira da curta pista fica um abismo de mais de 600m e, do outro, um muro.

Outra curiosidade do aeroporto mais perigoso do mundo é que a pista é inclinada em 12 graus para ajudar os aviões a frear. Ou seja, você pousa “morro acima” e decola “morro abaixo” em uma espécie de “rampa”. A diferença entre a cabeceira e o final da pista equivale a um prédio de 10 andares.

Clima instável e falta de radares

Já falamos das dificuldades da pista e também da altitude do aeroporto de Lukla, no Nepal. Mas outros desafios que os pilotos encontram por aqui são o clima instável e também a falta de radares.

O tempo no Himalaia é imprevisível e nevoeiros, tempestades e até neve são sempre possíveis. Apesar de estar a apenas 30min de voo de Katmandu, o clima em Lukla pode ser completamente diferente e mudar de uma hora pra outra. Quando os pilotos percebem isso, as aeronaves retornam à capital nepalesa.

Segundo o piloto Fernando De Borthole, que também apresenta o programa Aero – Por Trás da Aviação, todas as aproximações no aeroporto de Lukla são visuais, pois não haveria como operar por instrumentos em meio às montanhas numa pista muito curta sem a possibilidade de arremeter.

Ele explica ainda que o aeroporto não conta com radar. Logo que os pilotos saem da capital Katmandu é emitido um sinal para os controladores locais, que fecham a pista para o trânsito de pedestres.

Apenas pequenos aviões e helicópteros

Como os pilotos praticamente só enxergam a pista já bem próximos do pouso, por conta do terreno montanhoso, não há procedimentos para abortar a aproximação. Ou seja, quando a aeronave se aproxima ela deve pousar.

Por conta disso, apenas pequenos aviões a hélice e helicópteros são permitidos no aeroporto mais perigoso do mundo.

Avião e pista do aeroporto mais perigoso do mundo, no Nepal
Reprodução/YouTube Aero – Por Trás da Aviação

Borthole conta que poucos pilotos têm autorização para pousar na pista de Lukla. Eles devem fazer treinamentos com instrutores e precisam ter no currículo ao menos 100 pousos e decolagens em aeroportos de pistas curtas. Além disso, devem ter operado ao menos um ano no Nepal. Outra exigência é que eles já tenham feito ao menos 10 voos pra Lukla.

Apesar das dificuldades, como dissemos anteriormente, na alta temporada há diversos voos diários ligando o aeroporto à capital Katmandu. Antes da pandemia da Covid-19, ao menos três companhias aéreas operavam no terminal: Sita Air, Summit Air e Tar Air.

A construção do aeroporto de Lukla

Desde 2018, o aeroporto leva o nome de Tenzing-Hillary em homenagem aos dois primeiros montanhistas a escalarem o Everest em 1953. Ele foi construído em 1964 e contou com a presença do próprio Edmund Hillary em sua inauguração.

Como se não bastasse, a pista de Lukla era de cascalho até 2001.

A pequena Lukla, no Nepal

Se você faz uma viagem ao Nepal e quer ver de perto o Everest, é bem possível que desembarque aqui em Lukla, cercado pelo Himalaia. Embora seja um pequeno vilarejo, ele é uma das principais portas de acesso ao monte.

Rua principal de Lukla, Nepal, cerca por montanhas
Rua de Lukla (Foto: Reinhard Kraasch, CC-BY-SA 4.0 DE)

A vila tem poucas ruas, mas possui um comércio voltado aos turistas, que vende equipamentos de montanhismo. Há algumas opções de hospedagens mais simples também.

A partir de Lukla é possível pegar a trilha de dois dias até Nanche Bazaar, a mais de 3400 metros de altitude, local procurado pelos montanhistas para fazer a aclimatação aos efeitos da altitude. Então é ali eles que costumam ficar alguns dias antes de partir para o Monte Everest ou outros picos do Himalaia.

Acidentes no aeroporto mais perigoso do mundo

Por conta de seus desafios, o pequeno vilarejo já viu alguns acidentes no entorno de seu aeroporto. O mais recente aconteceu em 2019, quando um bimotor da Summit Air desviou da pista e colidiu com dois helicópteros, ainda no solo. Mesmo assim, três pessoas morreram.

Mas um dos acidentes mais trágicos foi em 2008, quando uma aeronave da Yeti Airlines colidiu com as montanhas a poucos metros do início da pista. A forte neblina teria causado a perda de contato visual durante o pouso. Dois dos três tripulantes e os 16 passageiros morreram no acidente. Apenas o piloto sobreviveu.

E então, você encararia um voo pra esse aeroporto?

Sobre o Autor
Rafael Carvalho
Mineiro fã de frango com quiabo e de uma boa cerveja, mora atualmente em São Paulo. É formado em Rádio e TV, pós-graduado em Jornalismo e trabalha há mais de 12 anos com Conteúdo Digital. Já passou por empresas como SBT e Jovem Pan FM. Apaixonado por viagens, fundou o Esse Mundo É Nosso e roda o Brasil e o mundo o ano todo sempre em busca de dicas para serem compartilhadas.
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