Se hoje fosse o primeiro dia de aula, escreveria na redação “Minhas férias” tudo o que eu aprendi e vivi durante estas três semanas tão intensas. Escreveria que aprendi, em primeiro lugar, a esquecer, por completo, tudo aquilo que poderia me chatear e entristecer. E quando a intuição mandava não perguntar sobre algo ou alguém era porque ela tinha razão de deixar para depois.

O QUE APRENDI VIAJANDO NAS FÉRIAS

Aprendi a respirar com quase 0% de umidade no Atacama, a me esquentar em um frio de -8 graus, que mais parecia -20. Aprendi a encarar o medo e entrar em um lago com a profundidade de mais de 25 metros e não afundar por causa do sal. Aprendi a gostar de uma cidade pequena. A esquiar  no Valle Nevado e não ter medo de cair. Aprendi que eu posso ser uma boa companhia para mim mesmo. Aprendi a sentir saudade de um bebê. A ser feliz no Rio de Janeiro mesmo com chuva. Aprendi a pedir muito desconto em todos os lugares. E deixei a minha vontade falar mais alto. Consegui dormir quando queria e podia dormir. E se acordei com vontade de tomar café da manhã no Copacabana Palace, não pensei duas vezes.

O que aprendi com as viagens das férias (Foto: Esse Mundo é Nosso)

Aprendi a admirar com calma o céu mais lindo da minha vida. Tão cheio de estrelas que faltava até ar para admirar tudo. Aprendi a conversar com quem eu nunca vi e nunca mais verei. Aprendi que se descermos andando a 4800 metros de altitude, não conseguiremos subir sozinhos. Faltará oxigênio no cérebro.

Aprendi com o Seu Manoel, um velhinho de 84 anos, que vende livros em inglês por 4 reais no metrô do Rio. “Siga o meu conselho! Leia uma página por dia, tome nota do vocabulário e no fim do livro você saberá falar inglês”. De repente, ele apontou para a minha camiseta, que estava escrito “I believe in music” e traduziu. “Ah, o senhor sabe bem inglês”, disse para ele. “Não. Eu não segui os meus conselhos”, me respondeu enquanto saía da estação para nunca mais.

Aprendi um caminho alternativo com o taxista que me levou ao Santos Dumont. E descobri que, muitas vezes, na ponte aérea não adianta marcar lugar. É assento livre. Aprendi a tirar o fone de ouvido na melhor parte da música para falar bem do Brasil ao casal de gregos que acabava de chegar ao Rio. Aprendi mais sobre o Pablo Neruda em uma de suas casas.

Aprendi a experimentar o que eu não gosto tanto. Aprendi a adorar o bolinho de catupiry com camarão da Alaíde, no Leblon. E aprendi que às vezes vale a pena comer devagar. Por causa disso, vi toda a volta que o Restaurante Giratório dá durante uma hora entre as cordilheiras em Santiago.

O que aprendi com as viagens nas férias (Foto: Esse Mundo é Nosso)

Aprendi com cada pessoa que cruzou o meu caminho durante estes dias. Alguns para daqui a pouco, outros para em breve, e a maioria para nunca mais. Aprendi a respeitar as diferenças de cada cultura. E como há diferenças e semelhanças tão longe e tão perto.

Aprendi a acreditar ainda mais em Deus. Porque só assim para entender as belezas da natureza que presentearam meus olhos nestes dias. Aprendi a conviver com o sol, a chuva, o frio e o calor. Aprendi que enquanto estamos sentados tem muita gente conhecendo o mundo. E aprendi que quero ainda mais conhecer cada canto dele.

É. Aprendi tanto que agora quero aprender muito mais.

Sobre o Autor
Adolfo Nomelini
Jornalista formado pela PUC-SP e pós graduado em Comunicação em Mídias Digitais, é apaixonado por música, coxinha, televisão, seus óculos e internet. Trabalha há 8 anos com conteúdo online e passa boa parte do tempo "jogando o corpo no mundo, andando por todos os cantos e, pela lei natural dos encontros, deixando e recebendo um tanto".
0 resposta
  1. Que lindooooooo !!!!!!!! Amei!!!!! Vc disse tanta coisa que eu queria dizer… Vou copiar para ler de vez em quando pq ensina e diz mto e pq eu gosto mto de viajar e conhecer tudo!!!!! Parabéns pelo texto.

  2. Adolfo, querido… se essa fosse sua redação de escola, poderia acrescentar ao final: “aprendi mais em 10 dias do que algumas pessoas em uma vida inteira… e só aprendi tudo isso porque estou aberto àquilo que vida oferece!”
    Adorei seu texto 🙂

  3. Arrepiante. Percebo o mesmo que você e fico muito feliz por saber que não sou acometida dessa loucura sozinha. Parabéns pela publicação !

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Rafael Carvalho

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