No último post da série, os alunos do Jornalismo Sem Fronteiras fazem um balanço sobre a experiência de ser correspondente especial na Argentina, narrada em três textos aqui no Esse Mundo É Nosso, e ainda relatam que vivenciaram alguns perrengues em Buenos Aires.

Agradecemos mais uma vez ao Clésio Oliveira por compartilhar essa jornada dos 10 alunos de jornalismo conosco.

PEDRAS NO SAPATO: PERRENGUES EM BUENOS AIRES

Apesar de encantadora do começo ao fim, Buenos Aires colocou os jovens jornalistas frente a problemas de gente grande. O próprio processo para fazer as matérias, encontrar e entrevistar pessoas em um outro país, em uma outra língua, já era por si só desafiador. Porém, assim como a rotina de um correspondente especial, as dificuldades vão além.

Perrengues em Buenos Aires - Catedral da Recoleta (Foto: Clésio Oliveira)

Elas começaram logo no primeiro dia, com a chegada em terras portenhas, nada melhor do que avisar a todos que haviam feito boa viagem e que a Argentina era linda. Mas se no dia a dia ter internet já se tornou quase que óbvio, lá não foi bem assim. Mesmo sendo paga, ela não funcionava muito bem e nem era um problema exclusivo do hotel, parece que é algo generalizado na terra do alfajor.

Além disso, os jovens estudantes foram colocados frente a situações próximas do que os enviados especiais enfrentam em momentos de tragédia: falta de água, energia elétrica, frio, e a constante falta de tempo (mas essa já é inerente a qualquer jornalista). Na penúltima noite em Buenos Aires, um grupo de manifestantes atacou o sistema elétrico do bairro durante a madrugada. Resultado: todos que já haviam ficado sem água no dia anterior (por causa de uma manutenção do hotel), acordaram novamente sem água – pois a energia era necessária para ligar a máquina que bombeia a água.

Perrengues em Buenos Aires - Contrução no Bairro San Telmo (Foto: Clésio Oliveira)

Dificuldades para se locomover também fizeram parte da rotina dos estudantes. Além de ser um local completamente desconhecido, havia barreiras com a língua, com o caminho e o meio de se chegar até cada local. Houve um caso que uma das colegas chegou a ficar sem saber para onde ir e sem dinheiro. Hospitaleiros, os argentinos não só a explicaram o caminho como deram dinheiro para a passagem.

Perrengues em Buenos Aires - Casa Rosada (Foto: Clésio Oliveira)

A jornada foi tão aguerrida até o fim. Mesmo quando todo o grupo já havia aprontado as malas e feito check in no aeroporto, mais uma aventura estava pela frente. Uma frente fria atrapalhou o pouso dos aeroportos e o voo dos já exaustos adolescentes teve que arremeter e voltar para o Uruguai. Quando todos pensaram que faltavam apenas alguns minutos para a volta para a casa, veio a notícia da companhia: com o incidente, o voo só partiria na manhã seguinte – nove horas depois do previsto.

Perrengues em Buenos Aires - Grupo no aeroporto (Foto: Clésio Oliveira)

Em um mix de riso pela situação tragicômica e desespero, eles montaram “acampamento” no saguão mesmo. Mochilas serviram de travesseiros e sobretudo de cobertor. Com as baterias dos celulares acabando e as tomadas escassas, todas as portas USB dos notebooks serviram de carregadores para a única maneira que os alunos tinham de se comunicar e acompanhar aquela novela que se desenrolava madrugada adentro.

Contudo, a sorte conspirou em favor dos já vencidos jornalistas ao menos uma vez e o problema foi resolvido antes do esperado. Por volta de uma da manhã – com atraso de “somente” duas horas -, eles conseguiram embarcar de volta para suas tão sonhadas casas.

Perrengues em Buenos Aires - Caminito (Foto: Clésio Oliveira)

O SALDO DA AVENTURA

O clima de fechamento era visível durante toda a viagem de volta. Todos tiraram muitas lições de toda aquela semana, que certamente será lembrada por muito tempo. Talvez, a maior delas é que o jornalismo é uma profissão bastante árdua, requer paixão. Mas nada que seja exclusividade dele, outras profissões também carecem de tanto ou até mais empenho. Mesmo assim, algumas vezes não será possível sequer colher os louros das conquistas. E apesar disso tudo o mercado continua abarrotado e sustentando uma competição que quase não cabe dentro de si mesma.

Perrengues em Buenos Aires - Deborah entrevistando uma jovem na caravana que saiu para a JMJ (Foto: Clésio Oliveira)

Entretanto, cada um aprendeu que tudo depende da ótica que você olha a situação, da postura que você entra no jogo. E não há nada mais recompensador do que o sentimento de que seu trabalho orgulhou a si próprio – é um prêmio que competição nenhuma pode dar. Nada é melhor do que saber que se fez o bem na vida de um cidadão comum que agora está melhor informado, teve sua vida agregada. As dúvidas fazem parte do processo, com certeza, – elas que movem o jornalismo. Mas após toda a epopeia, a lição que fica foi o bordão tão dito durante as dificuldades da viagem: foco no positivo!

Quer saber a história completa ou conhecer melhor quem era cada um que embarcou nessa aventura? Confira o Diário de Bordo do Jornalismo sem Fronteiras.

+ Confira os post’s da série

 

 

Sobre o Autor
Rafael Carvalho
Mineiro fã de frango com quiabo e de uma boa cerveja, mora atualmente em São Paulo. É formado em Rádio e TV, pós-graduado em Jornalismo e trabalha há mais de 12 anos com Conteúdo Digital. Já passou por empresas como SBT e Jovem Pan FM. Apaixonado por viagens, fundou o Esse Mundo É Nosso e roda o Brasil e o mundo o ano todo sempre em busca de dicas para serem compartilhadas.
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