Casa Museo Isla Negra: Vida e obra de Pablo Neruda

A convite do Esse Mundo É Nosso, a viajante Vanessa Aguilera, colaboradora do blog Diário de Mochileiro, fez um guest post com uma ótima opção de passeio no Chile. Além dos apaixonados por literatura, esta é uma dica para aqueles que gostam de cultura em geral, de história e, claro, lindas paisagens. Apresentamos então a Casa Museo Isla Negra, por Vanessa Aguilera.

Casa Museo Isla Negra – Vida e obra de Pablo Neruda

Estive pela primeira vez no Chile em 2009 e me apaixonei pelo país. Não somente pelas belíssimas paisagens, como a Cordilheira e seu topo branquinho coberto de neve ou pelos deliciosos vinhos, mas por alguns personagens que fazem do Chile um país culturalmente e historicamente especial.

Foto: Vanessa Aguilera (Cordilheira dos Andes, janeiro de 2009)

Foi em Santiago que conheci Neruda. Ou melhor, na verdade conheci o poeta chileno através de um professor, ainda no colégio. Mas foi na capital do Chile e também na cidade de Valparaíso que tive o prazer de me aprofundar na obra e na vida de Pablo Neruda, que como eu, também foi um pedagogo.

Foto: Vanessa Aguilera (Casa Museo Isla Negra, janeiro de 2010)

Premiado com o Nobel da Literatura em 1971, sua poesia fala de amor e dor, mas destacou-se ao explicitar sua inquietação político-social, seja retratando em forma de verso as injustiças na América Latina, a sua luta contra o Imperalismo, o momento em que sente a morte de seu amigo Garcia Lorca, na Guerra Civil Espanhola e também quando teve grande destaque e importância ao declarar apoio a Salvador Allende, num contexto político delicado para o povo chileno, fazendo da sua poesia, sua arma contra a ditadura.

Foto: Vanessa Aguilera (vista da Casa Museo Isla Negra)

Neste primeiro contato com o Chile, busquei equilibrei os pontos turísticos recomendados por quem já esteve no país ao meu interesse específico em determinados assuntos. Foi então que decidi visitar as três casas em que Neruda viveu, transformadas atualmente em museus que retratam esse universo do maior poeta chileno do século XX.

Foto: Vanessa Aguilera (“La Sebastiana”, Valparaíso, Janeiro de 2009)

Ainda no mochilão de 2009, conheci “La Chascona” em Santiago e “La Sebastiana” em Valparaíso. No entanto, desta vez, não consegui visitar a que eu mais queria, a casa de Isla Negra, considerada a mais importante e com o mais rico acervo sobre o poeta. Para completar a saga Neruda, voltei ao Chile em 2010 e finalmente estive na casa museu da cidade litorânea, onde estão os restos mortais do poeta e de sua última e amada esposa, Matilde Urrutia. Inclusive, o nome da casa santiaguina, “La Chascona” (que significa “descabelada” na língua indígena quíchua), foi dado em homenagem a ela, já que ali foi o grande ninho de amor do casal.
Foto: Vanessa Aguilera (Casa Museo Isla Negra, janeiro de 2010)

Pablo Neruda viveu na casa de Isla Negra de 1939 até sua morte, em 1973 (entre vários períodos de exílio e viagens). Neste espaço, nota-se o lado colecionador do poeta, pois este acumulava de “mascarones” (um tipo de estátua que decorava as embarcações antigas), passando por pedrinhas e conchinhas, até coleção de óculos, garrafas coloridas, chapéus, etc.Ao todo, estima-se que há em torno de 3.500 objetos espalhados pelos diversos cômodos.

“A poesia não é de quem faz, é de quem dela precisa.” (Il Postino)

Cena do filme “O Carteiro e o Poeta” (Google Images)

Foi somente na visita guiada que descobri que a casa, além de tudo, foi inspiração para o famoso, premiado e belíssimo filme “O Carteiro e o Poeta”, de 1994. Nele, conta-se a história da amizade entre o poeta chileno, Pablo Neruda, exilado numa ilha italiana e um jovem desempregado e semianalfabeto, que desejava aprender a fazer poesia para conquistar sua amada Beatrice. Após “contratá-lo” como carteiro, Mario era encarregado de cuidar da correspondência do poeta e, enquanto aprende a escrever seus sentimentos, tornava-se um grande companheiro e ouvinte de Neruda, que lhe contava as lembranças saudosas do Chile.

Foto: Vanessa Aguilera (Casa Museo Isla Negra, janeiro de 2010)

Ao entrar na casa, você já encontra referências ao filme, como as tais gavetinhas para as cartas, muitas referências marítimas, mesmo que Neruda nunca tenha sido marinheiro e era apenas um grande amante do mar, este que inspirou uma de suas mais belas poesias. Há também forte referência ao seu pai, que era ferroviário, homenageado pelo formato da casa em forma de vagões de trem.

Foto: Vanessa Aguilera (Casa Museo Isla Negra, janeiro de 2010)

Os ambientes são belíssimos e as janelas dos cômodos têm incríveis vistas para o Pacífico. Destaque para a sala das conchas, onde Neruda guardava TODAS as conchas, dos mais diferentes mares, encontradas no decorrer de sua vida.

Foto: Vanessa Aguilera (Vista do quarto de Neruda para o Pacífico)

A ditadura infelizmente não lhe deu uma cerimônia justa ao morrer em 1973, poucos dias após a subida ao poder de Augusto Pinochet, mas no início dos anos 90, seus restos mortais foram transferidos para a casa de Isla Negra, atendendo à sua vontade de ser enterrado ali, explicitado no poema “Disposiciones”, do Canto Geral. É no jardim da casa que encontramos não somente a tumba do poeta e de Matilde, mas descendo até a bela praia, há um “moai” (escultura inspirada na cultura rapa nui da Ilha de Páscoa), esculpido em uma das rochas, no formato da cabeça do poeta, observando o mar.

Foto: Vanessa Aguilera (Restos Mortais de Pablo Neruda e Matilde Urrutia)

Pablo Neruda nos encanta não somente com seus versos apaixonados e engajados, mas por sua também estreita relação com o Brasil, citado em “Canto Geral” e através de uma ode ao Rio de Janeiro, resultado das suas muitas visitas ao nosso país e de sua relação com brasileiros como: Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Jorge Amado, Thiago de Mello (amigo e tradutor de Neruda no Brasil), entre outros. Compreender sua vida e obra, mesmo que minimamente diante do universo grandioso do poeta, foi realmente especial e emocionante.

Foto: Vanessa Aguilera (Casa Museo Isla Negra)

Foto: Vanessa Aguilera (Casa Museo Isla Negra)Foto: Vanessa Aguilera (Casa Museo Isla Negra)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COMO CHEGAR

Fui à Isla Negra da maneira mais barata e dá tranquilamente para fazer um bate e volta. Lembre-se que não se trata de uma ilha, mas uma cidade litorânea de veraneio, famosa entre os chilenos. Distante aproximadamente 110 km de Santiago, a viagem dura aproximadamente 2h (sem trânsito litorâneo) e o trajeto é lindíssimo, com vista em alguns momentos para o Pacífico.

No Terminal Alameda, comprei minha passagem pela Pullman Bus (outras empresas também fazem o trajeto) por $3.500 rumo à cidade de Algarrobo. Há várias saídas diárias e não se esqueça de solicitar ao motorista para descer em Isla Negra. O ônibus te deixa exatamente na rua da casa de Neruda.

Atenção na volta: não há terminal em Isla Negra. Para voltar, há pequenos guichês de compra de passagem para Santiago (e outras cidades), no mesmo valor da ida, porém não há muitos horários. A dica é se programar e ao chegar ao local já comprar a passagem de volta, pois eu não o fiz e quase tive que voltar de carona, pois estava tudo lotado. Tive a sorte de uma desistência e me incluírem no último horário.

Outra forma de visita é contratar uma das várias operadoras locais que fazem excursões para Isla Negra, cobrando a média $40.000 a $70.000. A famosa TURISTIK também oferece o tour “Isla Negra & Vinos”, de 9hs, por $55.000 (R$234).

Foto: Vanessa Aguilera (Casa Museo Isla Negra, janeiro de 2010)

SERVIÇOS

Terminais de ônibus em Santiago terminaldebusessantiago.cl
Pablo Neruda Foundation: fundacionneruda.org

Casa Museo Isla Negra

Endereço: Poeta Neruda, s/n, Isla Negra, El Quisco.
Telefone: 56-35-461284 Reservas: 56-35-461284

Horários

Janeiro e Fevereiro: Terça a domingo, 10h – 20h
Março – Dezembro: Terça a domingo, 10h – 18h
Fechado às segundas-feiras

Preços

Tour guiado em espanhol e inglês: $3.500 por pessoa
Estudantes e idosos: $1.500 por pessoa (apresentando documentos necessários)

* Agradecemos muito o ótimo texto e as lindas fotos da Vanessa

 

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Rafael Carvalho

Mineiro fã de frango com quiabo e de uma boa cerveja, mora atualmente em São Paulo. É formado em Rádio e TV, pós-graduado em Jornalismo e trabalha há mais de 12 anos com Conteúdo Digital. Já passou por empresas como SBT e Jovem Pan FM. Apaixonado por viagens, fundou o Esse Mundo É Nosso e roda o Brasil e o mundo o ano todo sempre em busca de dicas para serem compartilhadas.

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  1. VIVIANE disse:

    oi pessoal sou a Vivi brasileira filha de chileno a dica que dou é:avião ou ônibus pra chegar no Chile e taxi é super barato,cerca de seis reais por oito km. É SÓ SABER FALAR O CASTELHANO COM SOTAQUE. RS ABRAÇOS…

  2. Lucia coutinho reis disse:

    Estou indo para o Chile na próxima semana e estou completamente decidida a conhecer o museu Pablo Neruda em Isla Negra, depois dessa dica magnífica e rica. Sabe como posso ir de carro?

  3. Vivi disse:

    Olá ! Parabéns pelo post!
    Quanto tempo, mais ou menos, levou a visita? (incluindo a viagem ida/volta). Quero tentar incluir mais programas no dia da visita a Isla.
    Grata,

  4. Isabela disse:

    É um passeio imperdível, numa ida ao Chile ! Em Isla Negra, já tem o tour em portugues ! 😉 Fui ano passado … Nos dão uma espécie de controle, c som e ouvimos todas as explicações em portugues, sem nenhuma dificuldade ! Super recomendo !

  5. Flavio disse:

    Amigos….caso urgente, estou com a passagem, so de ida, da Pullman p amanha…o seu post sobre a volta me preocupou heheheh… Oguiche de compra e o local de embarque sao acerca da casa? Rola fazereste trajeto a pe? Abracao e valeu pelas dicas….to empolgado a full p o passeio

    • Vanessa Aguilera disse:

      Olá, Flávio!
      Quando eu estive lá, o guichê de compra era na avenida principal, onde o ônibus te deixará, na esquina com a rua da Casa Museu (perto e dá pra ir a pé). Fique tranquilo sobre isso. Ao descer, já tente comprar a volta. Bom passeio, espero que você goste! =)
      Abraço, Vanessa.

      • luana disse:

        Vanessa vou para Santiago dia 1 de janeiro queria muito ir a isla negra quanto em média VC gastou por conta propria…. Passagem mais a entrada. E quanto tempo de passeio?

  6. Rafael disse:

    Fomos nas casas de Santiago e Valparaíso, mas infelizmente não passamos na de Isla Negra, que é a mais importante. Está na lista de prioridades para o caso de uma nova visita ao Chile. Além de ótimo poeta, o Neruda fazia casas muito interessantes.

  7. Carla/BH disse:

    Olá de novo!
    Como vcs foram tão prestativos vou tirar outra dúvida.
    Eu tenho que pegar o ônibus pra Algarrobo mesmo??
    É que no site da Pullman Bus não tem a opção desta cidade e olhando no mapa não faz muito sentido, rsrs…
    Valeu.

    • Vanessa disse:

      Oi, Carla! Quando decidi ir à Isla Negra, eu não fazia ideia de como chegar lá. Cheguei no terminal e perguntei qual a cia de ônibus que fazia esse trajeto e me informaram várias possibilidades, dentre elas, ir via Algarrobo (via Ruta 78), com a Pullman ou a TurBus. Lembro que comprei o horário mais próximo, já que os valores eram os mesmos. Não se preocupe, no terminal você encontrará mais de uma possibilidade e em diferentes horários de saída.
      Abs, Vanessa

  8. Lidia Norte disse:

    Opa! Vou para Santiago em Fevereiro e estava em dúvida se iria em Isla Negra ou se visitaria apenas as outras duas casas do Neruda… Depois desse post, me convenci de que vale super a pena ir lá! Obrigada por compartilhar! =D

    Abraços,
    Lidia.

  9. Carla/BH disse:

    Puxa! Depois de MUITO procurar encontro, finalmente, um texto sobre como ir e voltar de Isla Negra. Já estava desistindo. A Minha preocupação é justamente a volta, mas pelo que vc diz é tranquilo. Vc fez reserva antecipada para conhecer a casa??

    Parabéns!!

    • Vanessa disse:

      Olá, Carla! Que bom que pude ajudá-la sobre Isla Negra! Quanto à sua dúvida, não, eu não fiz reserva antecipada pra visitar a casa. Não foi necessário, já que é só chegar, comprar a entrada e desfrutar. Sobre a volta, aconselho já providenciar a passagem de volta ( no momento do desembarque), para que não corra o mesmo risco que eu de ter que apelar pra carona (ou dormir na cidade). Boa viagem e, se der, volte para nos contar como foi! Obrigada, um abraço, Vanessa.

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