Por que ainda me assusto com a falta de educação das pessoas

Sim. Este é um blog de viagens, mas como viajar envolve tudo na vida, acho justo abrir um espaço para fazer um desabafo.

A verdade é que eu ainda me assusto com a falta de educação das pessoas. Não estou falando de atitudes exageradas ou de gente que cospe no chão e joga lixo na rua. Estou falando de pessoas que estão conosco no dia a dia.

O uso do “ainda” no parágrafo anterior foi proposital. As pessoas estão tão acostumadas a serem mal tratadas que já parecem não ligar mais. Anormal é quando alguém é gentil com o outro. Muitos pensam: “Nossa! Como aquela pessoa é gentil. Deve ser falsidade”.

Educação (Foto: Shutterstock)

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A desculpa é sempre a mesma. Muita coisa na cabeça, muita tarefa para resolver, muita gente falando ao mesmo tempo. Uma dificuldade imensa de falar um simples “Bom dia” ou de retribuir um sorriso.

Não culpo a internet, mas acredito que ela até tenha um pouco de responsabilidade quanto a isso. As pessoas passaram a ter ainda mais pressa e se esqueceram do básico da gentileza.

Para que um chefe começar uma conversa no Whatsapp com “Bom Dia” se ele já pode logo mandar uma lista de afazeres para seus empregados? (Sim! Empregados… O fato de mudar a palavra para colaboradores nunca fez me sentir menos “empregado” de algum chefe)

Para que terminar com um “Obrigado” aquele e-mail que você está respondendo se pode ser direto e mandar só a mensagem que precisava? Às vezes sobra um tempinho para escrever três letrinhas e um tal de “T” “K” “S”, que juntas viram “Tks”.

Para que responder uma pergunta com o mínimo de palavras sendo que pode responder “Ok” ou “Não” para tudo?

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Ainda sofro quando pergunto algo e escuto um “ok” de resposta. Sofro quando mando um e-mail cheio de cuidados, escolho as palavras certas, leio e releio várias vezes para não ter erro e a resposta vem com um “ok”. Não é sensibilidade. É educação.

Isso sem contar aquela pergunta básica “Como você está?”. Por mais que quase sempre a gente responda que está tudo bem, não custa perguntar, né?

Não estou pedindo nada! Não estou querendo ocupar ainda mais seu precioso tempo com mais palavras ou com “floreamento”. Apenas prezo pela gentileza e boa educação.

Não passei anos na escola aprendendo a escrever para resumir a minha vida a um “ok”. Não levei tantas broncas dos meus pais para esquecer de desejar “bom dia”, “boa tarde” ou “boa noite”. Não custa nada, nada mesmo, dizer “muito obrigado” para seu chefe, empregado ou para o caixa do supermercado.

Esses dias, assisti ao filme “Aquarius”, que conta a história de uma mulher (Sonia Braga) que não aceita vender seu apartamento para uma construtora que quer destruir o prédio e fazer um novo. No longa, um jovem engenheiro, neto do dono da construtora, tenta convencer a proprietária a vender o único imóvel que ainda está ocupado no edifício.

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Mas por que eu estou falando tudo isso? Um diálogo entre esses dois personagens ganhou destaque no filme e recebeu aplausos no meio da sessão em que eu estava. Em uma discussão, o jovem arrogante diz que acabou de voltar dos Estados Unidos, onde se formou em business. Clara, vivida por Sonia, diz então que falta de educação, embora muitos não vejam desta forma, não tem a ver com quem não tem dinheiro ou cultura. Segundo ela, tem muita gente com formação em business nos Estados Unidos, mas sem formação de caráter.

Provavelmente, você se lembrou de alguém que se encaixa exatamente neste perfil. Muita gente tem a ambição maior do que o número de títulos que exibe na parede. Muitos deles passaram anos estudando liderança, mas esquecem de desejar “bom dia” ou de perguntar se a pessoa está bem depois de saber que ela estava doente. Muita gente aprende toda a teoria na sala de aula, mas esquece de olhar para o lado e entender o outro. O mundo se torna apenas aquela pessoa e sua enorme ambição.

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Aliás, e #ficaadica para as empresas, o dia do aniversário do seu “colaborador” não é apenas mais um dia. Por mais clichê que isso pareça, vale a pena reservar um pouco da verba anual para comprar um bolo, nem que seja um só para todos os aniversariantes do mês. E não custa nada desejar “feliz aniversário” para quem comemora mais um ano de vida gastando 8h por dia naquela empresa.

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Se todos passassem a sorrir mais para os outros, a lembrar de pedir “por favor” e agradecer sempre, as coisas não seriam tão difíceis e o dia a dia seria menos duro. Teríamos um pouco menos de raiva ao fazer ou falar com os outros.

Não precisa ser feliz o tempo todo, distribuir sorrisos falsos ou amar em exagero. Basta lembrar de ter educação. Isso já é um ótimo começo.

De qualquer forma, se você chegou até aqui, meu muito obrigado!

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Adolfo Nomelini

Jornalista formado pela PUC-SP e pós graduado em Comunicação em Mídias Digitais, é apaixonado por música, coxinha, televisão, seus óculos e internet. Trabalha há 8 anos com conteúdo online e passa boa parte do tempo "jogando o corpo no mundo, andando por todos os cantos e, pela lei natural dos encontros, deixando e recebendo um tanto".

7 Comments

  1. Alessandra disse:

    Amei seu texto, mas confesso que fiquei preocupada com a minha falta de educação. Sou a rainha do ok. Vou ficar mais atenta, pode ter certeza.

  2. Christhina disse:

    Fico chocada com o desrespeito do meu chefe, o que ele faz também com outros colegas: passa por nós no corredor e vira a cara.
    Infantil, grosseiro e uma grandeza de poder insuportável. Não fala diretamente mais com seus subordinados, mas manda a “capitã do mato” passar informações sobre o trabalho.

  3. Erica disse:

    Infelizmente tem muita gente sem educação…Jogam lixo nas ruas, falam alto, tomam atitudes sem pudores, não se importam com os outros…E isso é normal, aceitamos isso,o que eu acho um absurdo. Sugiro que em todos os lugares comecem a passar para os outros atitudes de educação, quem sabe assim, as pessoas não começam a tomar consciência de que precisam mudar?

  4. Juliana disse:

    Muito legal, Adolf! Está mesmo muito difícil esse mundo! Um grande beijo e muito obrigada!

  5. Jeane Ferreira disse:

    Obrigada, muito bom

  6. Maria disse:

    Identifiquei-me bastanteee! Choco-me a cada dia com a falta de gentileza do mundo e fico a sentir-me uma extra-terrestre. Dizer qualquer coisa a mais seria repetir o que foi falado no texto, tal minha identificação! Espero não perder a esperança de vê algo melhor!!!!!!

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