Como uma massagem tailandesa me deixou sem andar por 20 dias

Ir à Tailândia e não fazer uma autêntica massagem tailandesa pode ser comparado àquele velho ditado de “ir a Roma e não ver o Papa”. Não conheço um turista que tenha ido e não experimentou essa maravilha.

As massagens estão por todos os lados no país e são MUITO BARATAS. Eu sou fã incondicional e todas as vezes em que estive no país fiz praticamente todos os dias. Mas é preciso ter uns certos cuidados, ainda mais se, assim como eu, seu preparo físico não é dos melhores. Abaixo eu conto por que a massagem tailandesa pode ser bem perigosa.

MASSAGEM TAILANDESA: UMA DELÍCIA QUE PODE SER PERIGOSA

Massagem Tailandesa (Foto via Shutterstock)

Foto via Shutterstock

Em praticamente qualquer cidade turística da Tailândia (até mesmo da Ásia em geral) você irá encontrar as famosas massagens tailandesas. Elas são realmente revigorante e custam muito pouco. Em Bangkok, por exemplo, você consegue fazer 30min por apenas R$ 15. Ou uma hora por R$ 25. Não tem como não se entregar a esse “luxo” todo fim de tarde pra recuperar as energias de um dia batendo perna.

Elas estão por toda parte nas mais diversas categorias. Pode ser em cadeiras espalhadas pelas calçadas (que são as mais baratas), à beira-mar ou em hotéis e SPA’s de luxo. Tem para os pés, para os ombros, cabeça, mãos e corpo inteiro, com óleos, com cremes, com pedras quentes… Esse é o berço da famosa massagem tailandesa que ganhou fama mundo afora.

Massagem Tailandesa (Foto via Shutterstock)

Massagem nas calçadas de Bangkok (Foto via Shutterstock)

Se você nunca fez, vai sentir logo de cara que, além de habilidosas, essas mãos asiáticas são bem firmes. A pressão nos nódulos é certeira e relaxante, mas em alguns casos pode machucar. Como foi o que aconteceu comigo.

Eu já tinha feito várias vezes as massagens mais baratas, aquelas das espreguiçadeiras nas calçadas. Elas são realmente uma delícia. Mas num dia de chuva na famosa ilha de Koh Phi Phi decidi investir um pouco mais pra compensar o dia perdido com o mal tempo e paguei por uma massagem tailandesa num bangalô, de frente pra praia. Cenário perfeito! Mas eu não sabia que aquilo me traria lembranças negativas (leia-se “muitas dores“) até seis meses depois, que é quando escrevo esse texto.

Eu escolhi a massagem de corpo todo, que vai dos pés à cabeça, de costas e de frente. Mas me esqueci de uma coisa importante: pedir para pegarem leve. Os profissionais de massagem tailandesa têm uma força incrível, até mesmo as mulheres. Quando você menos percebe eles já te dobraram inteiro.

Massagem Tailandesa (Foto via Shutterstock)

Foto via Shutterstock

Eu como não sou nada esportista mal conseguia encostar minhas mãos nas pontas dos pés, sentado com as pernas esticadas. Mas com a “ajuda” da massagista simplesmente sentada nos meus ombros eu longo superei a meta de fui bem além dos pés.

Some a isso o emprego dos cotovelos e joelhos da massagista para literalmente te dobrar ao meio. E na hora é uma delícia. Sabe aquela dor que traz prazer, alívio? Fui embora feliz, mais elástico que nunca, mostrando pra todo mundo que agora, em pé, eu conseguia colocar as mãos no chão sem flexionar os joelhos.

Massagem Tailandesa (Foto via Shutterstock)

Foto via Shutterstock

Mas foi quando acordei no dia seguinte que a dor começou. Levei uns 30min para ter uma trégua na dor na coluna e conseguir sair do hotel. Ao longo do dia ela passou. Mas na próxima manhã e nas próximas ela voltava, sendo novamente amenizada à tarde e à noite.

Eu fiquei mais um mês na Tailândia, apesar de estranhar, fiquei na esperança de que a dor melhorasse. Mas não, todos os dias ela era igual.

Voltei ao Brasil e, pela maior sorte do mundo, depois de 15 dias aqui tive uma grande crise. Não sei se fiz algum esforço ou não, mas melhor ter aqui do que na Tailândia (apesar de eu sempre viajar com Seguro Viagem, afinal não dá pra arriscar, ainda mais por essas bandas).

Era manhã do dia 2 de janeiro e meu ano começou na emergência de um hospital, chorando de dor ao me sentar ou deitar. Enfrentei a fila em pé mesmo e sem nem um raio-X, o médico me receitou apenas uma injeção e dipirona (oi?).

No dia seguinte acordei pior ainda, tive que pedir ajuda ao sair da cama. Foi então que fui levado a uma emergência ortopédica, para uma consulta com um especialista. Depois de alguns exames o resultado: a pressão sobre a minha coluna durante a massagem causou um deslocamento da vértebra L5 da coluna em relação ao sacro (não é saco rs) e “pinçou” o nervo ciático. Nunca imaginei que um nervo poderia me causar tanta dor.

O médico disse que provavelmente eu já tivesse uma tendência a sofrer disso quando fosse mais velho, mas que o trauma na massagem fez com que a dor viesse precocemente. Essa é uma dor muito estranha, pois ela começa nas costas e vai até a canela, latejando, dando “choques”.

Foram 50 dias de tratamento e só depois do vigésimo consegui caminhar por mais de 10 minutos sem ter que me sentar. Hoje já faz dez meses que isso aconteceu, estou bem melhor, mas ainda sinto dores e faço acompanhamento médico.

Massagem Tailandesa (Foto: Esse Mundo É Nosso)

A força das massagistas na Tailândia

Não estou dizendo em nenhum momento que você não deva fazer massagem tailandesa, ainda mais se for ao país. Mas escrevo esse relato como uma dica pra você respeitar seus limites e não achar que é normal sentir dor durante o procedimento. Para saber mais sobre os riscos, vale dar uma olhada nesse artigo.

+ A importância de um seguro viagem internacional
+ Dicas pra você planejar sua ida à Tailândia

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Rafael Carvalho

Mineiro fã de frango com quiabo e de uma boa cerveja, mora atualmente em São Paulo. É formado em Rádio e TV , pós-graduado em Jornalismo em Comunicação Hipermídia e trabalha há mais de 12 anos com Conteúdo Digital. Apaixonado por viagens, fundou o Esse Mundo É Nosso e roda o Brasil e o mundo o ano todo sempre em busca de dicas para serem compartilhadas.

2 Comments

  1. Marcelo Lemos disse:

    Rafael do céu!
    Não sabia dessa.. Quero mais nunca passar perto de uma “Thai Massaaaage”.

    • Oi Marcelo, pois é, né? Não foi nada fácil e ainda não está 100%.
      Acho que o perigo mesmo são aquelas que eles sobem em cima da gente dando porrada, como a que me machucou. As básicas nos ombros ou pés não me traumatizaram não.

      Abraços e obrigado pela visita!

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