Seguro de Viagem: Só depois do susto você dá valor

Tem coisa que é como minha mãe fala: “Não adianta eu avisar, só quando você precisar vai se lembrar do que eu disse”. E é a pura verdade quando se trata de um Seguro ou Assistência de Viagem.

Vi o famoso “isso nunca vai acontecer” ir por água abaixo do meu lado. Foi no meu primeiro mochilão – pelo Peru, Bolívia, Argentina e Uruguai -, que, embora fosse o mais longo e durasse mais de um mês, eu viajei sem o tal seguro. Por sorte nada aconteceu comigo, mas ao longo da viagem uma das amizades que fiz passou por altos apuros.

Eu havia conhecido 3 argentinos super gente fina – Celeste, Vicky e Hernan -, tanto que eles me chamaram para ir para a Argentina, o que não estava nos meus planos, e ficar na casa de um deles. Estávamos ainda na Bolívia quando a Vicky descobriu que estava doente. Era um furúnculo na “poupança” causado pela infecção de poeira e pedrinhas que tinham entrado na pele dela ao longo das aventuras por Machu Picchu e na própria Bolívia.

Ela iria se tratar em Buenos Aires, mas quando descobrimos que não havia mais lugares em ônibus diretos pelos próximos 5 dias e resolvemos ir pingando de cidade em cidade, os planos mudaram. Ela começou a ter febre e a sentir muita dor. Então tivemos que procurar um hospital, o que não foi muito agradável em La Paz. Pegamos uma lotação e fomos para a unidade de saúde indicada pelo pessoal do hostel.

Ao chegar lá, além da espera longa, a coitada mal falou o que sentia e os médicos já a deitaram de bruços em uma sala cheia de macas, pegaram o bisturi e abriram o tal machucado sem nenhuma anestesia ou cuidado. Os gritos da Vicky nunca saíram da minha cabeça e, provavelmente, da dos outros pacientes nas macas ao lado também.

Cheia de sangue e com um dreno, ela foi dispensada depois de pagar uma quantia simbólica ao Governo boliviano e comprar um remédio no próprio hospital. O pior foi a coitada seguir viagem pelas próximas 72 horas até Buenos Aires chacoalhando sem nem conseguir sentar naqueles ônibus apertados. Vale dizer que no trajeto pela Bolívia, nos diversos ônibus que andamos, a estrada que cruzava o deserto era de terra, o que aumentava o risco de infecção.

Sorte que tudo correu bem e, apesar da dor, ela chegou sã e salva à capital argentina. De lá, fomos imediatamente ao hospital, dessa vez ancorados pelos pais dela, que ficaram muito bravos por ela não ter pedido ajuda nem avisado o que tinha acontecido. Acontece que a passagem de avião de La Paz a Buenos Aires era quase US$1mil e ela preferiu não falar nada, já que o pai dela não queria que ela viajasse.

Conclusão: se ela tivesse uma Assistência de Viagem, poderia ter sido atendida em um hospital bom – e não naquele açougue -, além de, em caso grave, ter sua passagem de volta à Argentina assegurada pela corretora do plano. Sorte que tudo correu bem… e eu tomei uma lição.

Só uma observação: assim que cheguei em São Paulo tive exatamente a mesma coisa que ela e fiquei de cama, de bruços, por uma semana! Imagine se fosse lá?

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Rafael Carvalho

Mineiro fã de frango com quiabo e de uma boa cerveja, mora atualmente em São Paulo. É formado em Rádio e TV, pós-graduado em Jornalismo e trabalha há mais de 12 anos com Conteúdo Digital. Já passou por empresas como SBT e Jovem Pan FM. Apaixonado por viagens, fundou o Esse Mundo É Nosso e roda o Brasil e o mundo o ano todo sempre em busca de dicas para serem compartilhadas.

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  1. Pessoal, realmente isso chamasse aventura de verdade, deixo a disposição nosso link para contrataçáo de seguro viagem o custo é simbolico perto dos custos da viagem.

  2. Vlw Rafa, já colocamos seu post lá no Turismo em Debate.
    Obrigado por enviar seu link pra gente. 😉 http://www.trilhaseaventuras.com.br/blog/index.ph

  3. todososcaminhos disse:

    Olha, não sei se serve de consolo mas o meu marido teve um furúculo no bumbum, o mesmo caso da sua amiga. Fomos a um dos melhores hospitais de SP (particular) e o procedimento foi o mesmo: corte à sangue frio com bisturi e apertões. Os gritos dele nunca vou esquecer. Pra vc ter uma ideia, deram um pano para ele morder…

    Eu não viajo mais sem seguro, mas nunca fica muito claro como agir em caso de necessidade.

  4. Adolfo disse:

    Ahhh! Esqueci de um detalhe. Vale lembrar sempre que olhando pras fotos do primeiro mochilão, não dá nem para reconhecer o atual Rafa Magro! 🙂

  5. Adolfo disse:

    Às vezes é melhor pagar pra não ver. Vale muito mais a pena você gastar um pouco e ter uma viagem tranquila do que ficar com medo de que algo possa acontecer sem que você tenha o seguro a seu favor. É claro que a gente nunca quer que aconteça, e é um dinheiro que nós não queremos ver o resultado final, mas, nesse caso, é melhor previnir. Eeeee falta pouco hein! Até eu já to ficando com um medinho hahaha. E agora até o Seu Barriga já é um contato seu no México! "Me voy a Mexico, Edgard! Vacaciones!"

  6. Carolmay disse:

    Nossa que aperto, eu sempre fiz seguro de viagem e muita gente me critica dizendo que eu gasto dinheiro à toa. Mas normalmente é quando não estamos prevenidos que acontecem as coisas. Ótimo relato! Bj

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