Não sei vocês, mas agora toda vez que vejo algum filme ou série e as pessoas estão se abraçando ou se beijando duas coisas vêm a minha cabeça: 1. Como era bom poder fazer isso e nunca valorizamos; 2. Que nervoso dessas pessoas todas abraçadas.

Se tem um orgulho que nós brasileiros sempre tivemos é justamente do nosso calor humano. Cumprimentar com beijos e abraços quem acabamos de conhecer sempre foi nossa marca mais natural.

Abraços que antes curavam hoje nos ameaçam (Foto: Pixabay)
Abraços (Foto: Pixabay)

Estranho pra gente era viajar pra fora e ter que se adequar à cultura do aperto de mão. Aqui sempre foi abraço apertado e, em algumas regiões, dois ou três (pra casar) beijinhos no rosto.

De repente, o que sempre simbolizou carinho virou ameaça. Nunca tinha imaginado que um dia um abraço apertado se tornaria um perigo tão eminente. E justamente quando mais precisamos do abraço de alguém não podemos dar nem receber.

Mesmo eu, que nunca fui o cara que mais saiu abraçando por aí, sinto falta disso. De todas as notícias tristes sobre o coronavírus que tenho lido por aí, sempre me chama atenção o fato das pessoas que perderam alguém muito próximo, além de não poderem velar o corpo dignamente, são proibidas de abraçar os amigos e familiares.

Um abraço não cura, mas acalma o coração. E nestes momentos tão difíceis são eles que nos fazem ganhar força para seguir em frente. Até isso foi tirado de nós. Nessas situações de perda, parece que o abraço de alguém que você ama muito faz com que você ganhe energia para seguir em frente e libere a dor que está dentro de você.

Abraços que antes curavam hoje nos ameaçam (Foto: Pixabay)

Quando poderemos dar um abraço bem apertado de novo sem o medo aparecer? Sabe aquele abraço sem pressa e com direito a beijinhos… Não vejo a hora de pegar as minhas sobrinhas no colo e abraçar bem forte. Eu não lembro quando foi a última vez que as abracei. Se eu soubesse que seria a última, teria abraçado por mais tempo.

Mas será que conseguiremos abraçar sem nos sentir ameaçados ou sem estar ameaçando quem abraçamos? Será que continuaremos sendo o país do calor humano? Como acontece com tudo, acho que o tempo vai curar isso também. Vamos nos adequar à nova realidade e quando o vírus estiver controlado, principalmente por uma vacina ou um remédio, poderemos voltar a distribuir abraços e beijos por aí.

Enquanto isso, o melhor jeito de mostrar carinho por quem mais amamos é justamente não abraçar e beijar.

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Sobre o Autor
Adolfo Nomelini
Jornalista formado pela PUC-SP e pós graduado em Comunicação em Mídias Digitais, é apaixonado por música, coxinha, televisão, seus óculos e internet. Trabalha há 8 anos com conteúdo online e passa boa parte do tempo "jogando o corpo no mundo, andando por todos os cantos e, pela lei natural dos encontros, deixando e recebendo um tanto".

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Rafael Carvalho

Somos Adolfo Nomelini e Rafael Carvalho, dois jornalistas que trabalham com conteúdo digital há mais de 10 anos. Aqui você encontra nossas dicas de viagens pelo Brasil e o mundo.