Como é voar Ethiopian Airlines: É boa? E o aeroporto de Adis Abeba?

Depois de ouvirmos tantas reclamações e também elogios sobre como é voar Ethiopian Airlines , confesso que estávamos bem ansiosos pro nosso voo saindo de Guarulhos com destino a Adis Abeba, na Etiópia. Nosso destino final era Tel Aviv, em Israel, com conexão na capital etíope.

Maior companhia aérea da África, desde que começou a voar para o Brasil em 2013, para o Rio de Janeiro e São Paulo, tornou-se uma opção rápida e muitas vezes mais barata para quem voa para Ásia, Oriente Médio, África e até mesmo Europa.

Hoje a empresa voa de Adis Abeba direto para Guarulhos e o voo segue depois para Buenos Aires e vice-versa.

COMO É VOAR ETHIOPIAN AIRLINES? É BOA?

Antes de darmos os detalhes de como é voar Ethiopian e nossa experiência a bordo (inclusive com vídeo), vale falar um pouco mais da companhia. Com mais de 100 destinos, a empresa estatal liga a capital etíope às Américas do Sul e do Norte, Ásia, Europa, Oriente Médio, além de diversos países do continente africano e também dentro da Etiópia.

Boeing 787 da Ethiopian - Foto: Rafael Luiz Canossa [(CC BY-SA 2.0)]
Foto: Rafael Luiz Canossa [(CC BY-SA 2.0)]

Desde 2016, superou a South African e se tornou a maior empresa aérea da África. Ela chegou ao Brasil em 2013, numa rota longa, que saía de Adis Abeba, fazia escalas em Lomé (Togo) e no Rio de Janeiro, até finalmente pousar em Guarulhos.

A companhia deixou de voar para o Rio em 2014 e, desde 2017, também cancelou a parada no Togo, ou seja, hoje a rota é direta entre Guarulhos e Adis Abeba.

Nós já tínhamos lido e ouvido muitos comentários sobre como é voar Ethiopian Airlines, desde os mais assustadores àqueles que diziam que não era uma Emirates, mas que era uma boa empresa e que valia a pena pra quem conseguia boas tarifas. Outra coisa que nos dava medo seria nossa conexão de cinco horas no aeroporto de Adis Abeba, descrito por muitos como insuportável.

Não sei se demos sorte ou se já fomos tão preparados para o pior que até que gostamos do voo. Claro que há inúmeras coisas que podem ser melhoradas, mas nossa experiência foi boa de modo geral, como contamos nesse post e no vídeo abaixo.

| O CHECK-IN

Fizemos o check-in pelo site da Ethiopian, que até hoje tem meio cara daqueles sites da década de 2000, mas funcionou bem. Há inclusive a opção de participar de um leilão para upgrade para a classe executiva. Basta dar um lance e aguardar a oferta. Mas nem tentamos, pois havíamos pago um valor bem baixo para o voo até Tel Aviv.

No aeroporto de Guarulhos o processo de despachar as malas também foi bem tranquilo e rápido. Não levamos nem 20 minutos. O funcionário nos orientou que, apesar da conexão de cinco horas em Adis Abeba, nossas bagagens seguiriam direto para Israel.

| O EMBARQUE EM GUARULHOS

Como o voo vem de Buenos Aires e faz uma escala em Guarulhos antes de seguir para Etiópia, algumas coisas me incomodaram, como os atrasos. Nossa decolagem estava prevista para à 1h10 da manhã, mas atrasou por quase uma hora. Depois pesquisei sobre esse voo no Flight Stats e percebi que esses atrasos são bem comuns.

Painel sinaliza voo pra Adis Abeba em Guarulhos (Foto: Esse Mundo É Nosso)

Mas como tínhamos muito tempo de conexão, não nos importamos com a demora. Pelo contrário, com isso teríamos que passar menos tempo no aeroporto da Etiópia.

| O AVIÃO DA ETHIOPIAN AIRLINES

Um dos pontos altos de como é voar Ethiopian fica por conta do Boeing 787 Dreamliner, um dos mais modernos do mundo. Inclusive a companhia foi a primeira a voar para o Brasil com esse avião.

Boeing 787 da Ethiopian Airlines (Foto: Esse Mundo É Nosso)

E quais são os diferenciais? O 787 consome até 20% menos combustível que outros aviões do mesmo porte, é menos barulhento tanto pra quem está a bordo como pra quem mora próximo dos aeroportos e tem asas que permitem que os passageiros sintam menos as turbulências.

Além disso, as janelas e compartimento de bagagens são maiores, um sistema de filtração do ar garante mais umidade para os passageiros e melhora a pressurização da aeronave.

Como é voar Ethiopian Airlines  (Foto: Esse Mundo É Nosso)

Os assentos na Ethiopian estão configurados em três poltronas nas laterais, três no meio e três novamente na outra lateral (3x3x3). Eu tenho 1,85m e achei mais espaçoso que outros aviões que já voei.

Como é voar Ethiopian Airlines  (Foto: Esse Mundo É Nosso)

Sob eles havia um cobertor e um travesseiro e, mais tarde, ainda distribuíram uma pequena nécessaire com escovas de dente, pasta, meias e tapa olhos.

Por falar nisso, a única coisa que me incomodou foi o material das poltronas, que usa um tecido de pano ao invés de um couro artificial, por exemplo. Dá uma sensação de não muita higiene e também de que está mais desgastado (não sei se pelas cores serem muito pastéis).

Uma coisa que não falei do Boeing 787 é que as janelas, além de maiores, não usam aquelas cortininhas de plástico comuns nos demais aviões. Ela usa um sistema que escurece ou clareia automaticamente o vidro.

Apesar de os passageiros terem a opção escolher como querem as janelas, eu gostei muito que, durante o voo, todas ficam escuras. Mesmo que alguém queira enxergar lá fora com mais claridade, ela não ficará 100% clara, ou seja, ótimo pra quem quer dormir em voos diurnos como esse.

LEMBRANDO DO SEGURO VIAGEM?

Vai pra Europa? O Seguro Viagem é obrigatório para brasileiros e pode ser pedido na imigração. Se seu destino é outro, como Ásia ou África, fica também a recomendação. Eu já quebrei a coluna esquiando, tive de ser resgatado de helicóptero e fiquei internado. Já imaginou quanto teria me custado isso?

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| SISTEMA DE ENTRETENIMENTO

Essa foi outra coisa que me deixou tenso pelo que eu tinha lido sobre voar Ethiopian. Muita gente dizia que não havia praticamente nada em português no sistema de entretenimento individual.

Não sei se a mudança foi recente, mas boa parte dos filmes atuais tinham sim a opção no nosso idioma. Confesso que levei dezenas de episódios de séries da Netflix baixados no celular (rs), mas nem usei.

Sistema de entretenimento da Ethiopian Airlines  (Foto: Esse Mundo É Nosso)

As telas são individuais e touch screen. Nosso avião da volta, apesar de também ser um 787, tinha telas maiores e mais sensíveis ao toque na classe econômica. O da ida eu não gostei muito, pois o meu touch mal estava funcionando. Por sorte, havia um controle no braço do assento.

Vale você também levar seus próprios fones de ouvido, já que os que são distribuídos são bem safados, com o perdão da palavra.

| O VOO DE GUARULHOS A ADIS ABEBA

Como já disse, decolamos com quase uma hora de atraso. Não sei se é porque o avião vinha de Buenos Aires ou se é costume da Ethiopian mesmo não ser muito rigorosa… digamos que a aeronave não estava 100% limpa, mas nada que tenha me incomodado muito. Deu pra perceber isso porque foi possível encontrar algum lixo e até farelos de comida no bolsão do assento.

Outra coisa que não gostei muito foi do atendimento dos comissários. Eles não são nada simpáticos como eu esperava de uma tripulação africana, que costuma ter aquele sorriso que nós brasileiros temos. Isso não tornou o voo pior, mas ele poderia ter sido bem melhor com um pouquinho mais de tato pra lidar com os passageiros.

Como é voar Ethiopian Airlines  (Foto: Esse Mundo É Nosso)

Por falar nisso, eu pelo menos não vi ninguém que falava português a bordo. Então se você não fala inglês, vale ao menos decorar algumas palavrinhas como “beef, chicken, pasta, beer, wine…” pra não sofrer com a comunicação com os comissários.

O voo tem 12h de duração e não tem como dizer que não cansa. Na metade final você percebe que os passageiros já começam a circular mais, estão mais impacientes. Algo normal para um voo tão longo.

| SERVIÇO DE BORDO

Pra quem tem dúvidas sobre como é voar Ethiopian, talvez esse seja um dos pontos que eu mais gostei. Da mesma forma que o voo em si, eu tinha visto algumas reclamações sobre o serviço de bordo. Não sei se foi sorte ou se eu, depois de tantos voos, já sei que na classe econômica de um avião não dá pra esperar aquela refeição deliciosa que vai marcar a sua vida. É tudo mais do mesmo.

E por que o ponto alto? São muitas refeições. Pouco depois da decolagem, já por volta de 3h da manhã, foi servido um jantar com opções de carne, peixe ou frango. Pedi carne e o prato estava bom e bem temperado (lembrando que estamos falando de comida de avião, né?).

Serviço de bordo da Ethiopian Airlines  (Foto: Esse Mundo É Nosso)

Alguns amigos tinham dito que a comida, principalmente do voo de volta, era típica da Etiópia, diferente, não muito boa. Ao menos no nosso voo não foi, nem na ida nem na volta. Talvez os temperos, pra quem não está muito acostumado com cominho e outras especiarias, possa chamar a atenção.

Na metade de voo, um sanduíche foi distribuído com bebidas. Já faltando umas 3h para o pouso, outro jantar (ou seria almoço?) foi servido. Eram as mesmas opções de proteína do primeiro, mas a apresentação e os temperos eram diferentes.

Serviço de bordo da Ethiopian Airlines  (Foto: Esse Mundo É Nosso)

As bebidas servidas em todas as refeições incluem refrigerantes, sucos, vinhos (com garrafinhas individuais 😍), cerveja e alguns destilados. Pelo menos eles não regulam muito, oferecem mais de uma vez durante as refeições e você pode solicitar as bebidas também ao longo do voo.

Serviço de bordo da Ethiopian Airlines  (Foto: Esse Mundo É Nosso)

Diferente dos voos que já fiz entre o Brasil e a Europa, em que as companhias deixam algumas bebidas e lanchinhos no fundo do avião, no caso da Ethiopian você deverá solicitar a um comissário. Não ligue se ele estiver de cara feia, no meu voo todos estavam!

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E O AEROPORTO DE ADIS ABEBA? É MESMO RUIM?

Depois de 12h de voo, pousamos por volta das 19h na capital da Etiópia. Já estávamos preparados pra encontrar um aeroporto bem feio e sem estrutura, como muita gente tinha nos dito. Mas o bom de ir esperando o pior é que você pode se surpreender.

O aeroporto de Adis Abeba tem passado por algumas reformas. Como estava uma noite fria, a temperatura era agradável, visto que muita gente se queixa da falta de ar condicionado. Há algumas lanchonetes e mercadinhos simples, mas que têm preços bons pra um aeroporto.

Aeroporto de Adis Abeba, Etiópia (Foto: Esse Mundo É Nosso)

Não espere também o duty free mais lindo da sua vida, pois as lojas se parecem mais com bancas. Mas pelo menos os preços também são bons.

Aeroporto de Adis Abeba, Etiópia (Foto: Esse Mundo É Nosso)

Quando desembarcamos, o aeroporto estava mais tranquilo. Mas em poucas horas muitos voos chegaram juntos e a lotação ficou bem complicada, difícil até mesmo para encontrar um lugar para nos sentarmos.

Para nossa sorte, no nosso voo de volta , cerca de uma semana depois, uma nova ala com mais assentos já havia sido inaugurada. Mas os serviços continuavam os mesmos.

Aeroporto de Adis Abeba, Etiópia (Foto: Esse Mundo É Nosso)
Nova ala inaugurada uma semana depois da nossa primeira passagem pelo aeroporto de Adis Abeba

Então o aeroporto não é tão ruim? Depende, não é dos melhores aeroportos do mundo, mas é “Ok”, dá pra encarar algumas horas de conexão, fazer um lanche ou comprar alguma coisa. Se você quiser sair do terminal pra conhecer a cidade, precisará de um visto.

Para quem fuma há inclusive uma sala poluída de fumantes. Os banheiros até que são razoavelmente limpos, embora em um canto do terminal eles fossem improvisados dentro de alguns contêineres. Mas não achei que seja um verdadeiro terror.

Quem voa na classe Cloud Nine, a executiva da Ethiopian, tem acesso a algumas salas VIP, que também são simples, mas tornam a espera mais agradável. Eu até procurei, mas essas salas não aceitam que você pague na hora ou use programas como LoungeKey ou Priority Pass.

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AFINAL: ETHIOPIAN AIRLNES É BOA?

Não podemos reclamar muito do nosso voo. Pagamos três vezes mais barato que uma passagem direta entre São Paulo e Tel Aviv. Como também já fomos preparados pro pior, acabamos nos surpreendendo.

O avião é bom, as refeições foram fartas e boas para os padrões de classe econômica. Além disso, o sistema de entretenimento, embora não tenha funcionado muito com o touch na ida, tinha opções novas de filmes em português.

Como é voar Ethiopian Airlines (Foto: Esse Mundo É Nosso)
Boeing 787 da Ethiopian Airlines em Guarulhos

O que não gostamos muito foi a aparência meio desgastada dos assentos, o aspecto de o avião não ter sido muito bem limpo antes do voo e a falta simpatia da tripulação.

Voltaria a voar? Se o preço estiver bom, com certeza! Já se estiver muito caro, vale você voar com empresas como a Emirates ou Turkish, que são excelentes opções pra quem vai para a Ásia, por exemplo. A conexão em Dubai ou Istambul é sem dúvidas mil vezes melhor que em Adis Abeba.

Espero que tenha gostado de saber como é voar Ethiopian Airlines de acordo com a nossa experiência. Tem mais alguma dúvida? Deixe seu comentário!

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Rafael Carvalho

Mineiro fã de frango com quiabo e de uma boa cerveja, mora atualmente em São Paulo. É formado em Rádio e TV, pós-graduado em Jornalismo e trabalha há mais de 12 anos com Conteúdo Digital. Já passou por empresas como SBT e Jovem Pan FM. Apaixonado por viagens, fundou o Esse Mundo É Nosso e roda o Brasil e o mundo o ano todo sempre em busca de dicas para serem compartilhadas.

4 Comments

  1. DIEGO ARAUJO disse:

    Gostei do post, está bastante atualizado, viajo semana que vem com a Ethiopian, pretendo fazer upgrade pro segundo trecho entre a ethiopia e a india… abraços.

  2. Rafael,
    Fiquei mais animado com o seu review.
    Tenho uma verdadeira jornada com eles: Guarulhos-Adis Abeba-Hong-Kong-Manila de umas 29 horas ao todo.
    Assim que fizer meu voo e me recuperar da paulada também farei o meu review.
    Abraço!

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