Crise dos 30: Por que não devemos sofrer com a idade

O relógio acabou de virar! Já é meia-noite. Tenho oficialmente 30 anos. A palavra trinta (TRINTA) pesa, eu sei. T R I N T A. Mas o que é a vida além de uma sucessão de dias, meses e anos? Talvez eu tenha passado o meu vigésimo nono ano todo pensando nisso para tentar evitar a tal crise dos 30.

De tudo o que eu refleti antes de ir dormir, enquanto tomava banho ou não tinha nada para fazer no avião o que mais me marcou foi o fato de que nós somos muito pretensiosos. O ser humano é tão audacioso que nasce achando que vai ficar velho. Nascemos com a falsa certeza de que a velhice vai chegar. E, com isso, criamos as crises de idade (crise dos 30, crise dos 50, crise dos 80). Mas ninguém nasce sabendo se irá viver tempo suficiente para ficar velho do modo como achamos que é estar velho.

Crise dos 30 (Foto: Pixabay)

Crise dos 30 (Foto: Pixabay)

Para alguém que morreu aos 80 ou 90, ter 30 anos era ser jovem. Mas para alguém que morreu aos 20, teoricamente, ter 18 já era estar velho. E o que nós podemos fazer? Passar a sucessão de dias, meses e anos (aquilo que também chamamos de vida) achando que estamos ficando velhos sem saber exatamente o que está por vir? É muita pretensão mesmo ter a certeza de que ficaremos velhos.

Por isso, não podemos perder tempo criando crises de idade. Um ano é só um ano. O fato de termos completado mais um ano é algo que deve ser celebrado e não motivo de depressão. O grande problema é que chegamos aos 30, 40, 50 olhando para os lados e esquecendo de olhar para dentro. A gente acha que todos os nossos contemporâneos estão melhores do que nós. São mais bem sucedidos, viajam mais, têm roupas mais legais, têm uma família incrível… E a gente? Ahh… A gente tá sabe como, né? Levando.

Crise dos 30 (Foto: Pixabay)

Crise dos 30 (Foto: Pixabay)

Só que se pararmos de olhar apenas para os lados e fizermos uma viagem por nós mesmos, perceberemos o quanto evoluímos neste tempo todo. O quanto melhoramos em diversos aspectos. Temos que parar de nos sabotar.

Mas a verdade é que a grande crise da vida não é pela idade, é pelo tempo. Não pela soma dos nossos dias, mas pela rapidez como eles passam. O tempo realmente “escorre pelas mãos” e é isso que me assusta. Foi isso que me fez pensar tanto nos últimos 365 dias. Não ligo de fazer 30 ou 40, mas me preocupo em ver como tudo parece não ser mais palpável. Não consigo digerir uma notícia e já vem outra. Não consigo me recuperar do panetone que o confete já está caindo. Não consigo acabar o brinde de feliz ano novo sem enxergar um coelhinho da Páscoa bem ali do lado.

Parece que não temos tempo suficiente para realizar tudo o que queremos. Estamos num ritmo assustador, numa roda viva que deve pifar a qualquer momento. E isso não é (de)mérito da geração que tem 30. Os de 20, 40, 60 e 70 também estão nessa.

Crise dos 30 (Foto: Shutterstock)

Foto via Shutterstock

Eu me assusto com a possibilidade de perder as pessoas e de não conseguir aproveitar os momentos com elas. Aquela sensação de que sempre pode ser a última. Eu me assusto quando resolvo fazer contas e percebo como os últimos dez anos passaram rápido. Claro que acho estranho pensar que há 10 anos eu tinha 20 e estava na faculdade. Daqui a 10 anos eu já terei 40. Nossa, parece que meu pai tinha 40 anos na semana passada. Mas, mais uma vez, não é a idade que me assusta, mas sim a velocidade com que ela está me alcançando.

Não tem como chegar aos 30 sem pensar no futuro. E como as coisas devem mudar muito em pouco tempo daqui pra frente. Mas a gente não pode sofrer com isso. O futuro é daqui a 10 minutos e a gente nunca vai estar pronto para ele. Com 30, somos novos para quem está perto dos 50. Os de 50 são novos para quem está perto dos 70. E sempre será assim.

Crise dos 30 (Foto: Pixabay)

Crise dos 30 (Foto: Pixabay)

Mas sabe o que temos mesmo que fazer em vez de ter crise de idade? Temos que agradecer pela chance de termos vivido tudo o que já vivemos e pedirmos para termos saúde para continuarmos vivendo tudo o que for para nós. Temos que agradecer pelas pessoas que estão com a gente e pelos bons momentos que passamos. Acreditar que as dificuldades foram desafios que nos deixaram mais fortes. E estar mais fortes para aguentar os desafios que virão. Porque eles sempre virão de uma forma ou de outra.

Pronto. Agora já não tenho só 30 anos. Tenho 30 anos e 27 minutos. O que significa que há meia hora eu tinha apenas 29. Antes de encerrar, só tenho uma coisa para dizer… Fábio Junior, por que você não escreveu a música “30 e poucos anos”? Eu estaria me sentindo muito melhor sabendo que eu ainda posso me desfazer dos meus planos. Quero saber bem mais do que os meus 30 e poucos anos!

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E você? Sofreu com a crise dos 30 ou de qualquer outra idade?

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Adolfo Nomelini

Jornalista formado pela PUC-SP e pós graduado em Comunicação em Mídias Digitais, é apaixonado por música, coxinha, televisão, seus óculos e internet. Trabalha há 8 anos com conteúdo online e passa boa parte do tempo "jogando o corpo no mundo, andando por todos os cantos e, pela lei natural dos encontros, deixando e recebendo um tanto".

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