É clichê dizer que o tempo está passando muito rápido, não é? Pode ser! Mas pelo menos pra mim está assustador. Parece que o tempo me consome tanto que mal consigo sair do lugar. Depois que crescemos e entramos na nossa rotina de gente grande, o tempo parece correr sem parar.

Quando eu era criança, tinha a impressão de que tudo passava mais lentamente e “cinco anos atrás” já parecia muita coisa. Agora, “cinco anos atrás” me dão a sensação de alguns meses.

Tempo nos consome (Foto: Pixabay)

Em 2016, eu estava assistindo à reprise de “Laços de Família” no Viva quando resolvi pensar de que ano era aquela novela. Eu não deveria ter feito isso. Ela estreou em 2000 e acabou em 2001. Até aí tudo bem. Só que parei para fazer contas. O que eu também não deveria ter feito.

Lembro exatamente de quando essa novela foi ao ar originalmente há quase 20 anos. Foi aí que percebi como passou rápido o tempo de lá pra cá e me deu um desespero pensar como será minha vida daqui a 20 anos. E se passar tão rápido com os últimos 20 anos passaram?

Criança não tem essa mesma sensação que a gente. Pelo menos não tinha. Como agora as crianças também vivem conectadas o tempo todo, talvez até pra elas o tempo esteja voando. Mas do que adianta sofrer com o tempo se nós não temos o poder de domá-lo?

Podemos apenas tentar aproveitá-lo ao máximo antes que seja tarde. E o pior de tudo que é nem sabemos quando pode ser o tal “tarde”, que muitas vezes é bem cedo.

Esses dias estava conversando com a minha sobrinha de quatro anos. Ela me chamou para brincar e eu disse que “estava ‘sem tempo’, mas que ‘se desse tempo’ iria”. E emendei com “como o tempo está passando rápido”.

A resposta dela não poderia ter sido melhor. Ela sugeriu que eu tirasse a pilha do relógio. Assim, poderia aproveitar todo aquele tempo com ela e depois, quando colocasse a pilha novamente, o tempo estaria no mesmo lugar de onde parou.

Tempos nos consome (Foto: Pixabay)

Seria tão bom se o tempo fosse apenas o do relógio, né? Se a gente pudesse pausar, voltar e adiantar quando quiséssemos. Mas mesmo se desse para fazer isso de nada adiantaria, já que o tempo que passa é o nosso. Mesmo se não existissem as horas, o nosso tempo passaria sozinho.

Uma vez li alguém falando em uma entrevista que não poderíamos ficar falando “na minha época era daquele ou desse jeito”. Se você está vivo, esta é a sua época. Sua época é o hoje. E é verdade.

O tempo passa de formas diferentes para cada um, mas enquanto convivemos todos somos contemporâneos. Precisamos acompanhar o tempo para não ficar para trás.

Mas de fato o celular e as redes sociais roubaram muito do nosso tempo e hoje podemos dizer que quem tem tempo é quase tão rico quanto quem tem dinheiro. Aliás, não basta ter tempo, temos que saber administrá-lo porque a coisa mais fácil que existe hoje em dia é passar o tempo e deixar o tempo passar.

Se não nos policiarmos, perdemos horas e horas apenas com o dedo no celular vendo as redes sociais e conversando pelo WhatsApp. É muito fácil ficar sem fazer nada e sem perceber que o tempo está passando com o celular nas nossas mãos.

Só que o tempo está nos consumindo sem que possamos perceber. Se não pararmos para olhar com calma o calendário, se não começarmos a viver mais o presente sem programar tanto o futuro, se não deixarmos de pensar no Natal em setembro e no Carnaval em dezembro, se não pararmos de tentar controlar o futuro, o presente irá virar passado tão de repente que nem teremos tempo suficiente para celebrar este futuro.

Enquanto houver tempo vamos tentar aproveitar o nosso tempo. Antes que seja tarde demais.

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Sobre o Autor
Adolfo Nomelini
Jornalista formado pela PUC-SP e pós graduado em Comunicação em Mídias Digitais, é apaixonado por música, coxinha, televisão, seus óculos e internet. Trabalha há 8 anos com conteúdo online e passa boa parte do tempo "jogando o corpo no mundo, andando por todos os cantos e, pela lei natural dos encontros, deixando e recebendo um tanto".

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Rafael Carvalho

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